•  
Compartilhe:
  • Enviar por e-mail
  • Orkut
  • Facebook
  • Twitter
  • Avalie:
01/06/2018 10:50

Fórmula 1 enfrenta em 2018 inédita demissão em massa de projetistas

  • Novo tópico
Páginas:  1  | primeira | anterior | próxima | última

Pandora da Fiel

Mensagens: 78306
Cadastro: 13/08/2009

Nível 8







Não perca as contas, hein? Em abril, dia 26, a McLaren emitiu comunicado para informar que seu diretor técnico, Tim Goss, estava deixando a equipe. E em maio a F1 bateu o recorde de engenheiros projetistas dispensados: cinco.

O primeiro foi o diretor técnico da Sauber, Jorg Zander, dia 3. Depois, o desenhista chefe da Williams, Ed Wood, dia 10. Poucos dias mais tarde, 16, Mark Tatham ouviu do diretor da STR, Franz Tost, "valeu, muito obrigado". Segunda-feira, sob o pretexto de reciclar os técnicos, a Ferrari surpreendeu a F1 ao comunicar que seu chefe de projetos, Simone Resta, está trocando a escuderia pela Sauber.

Não acabou. Quarta-feira, o parceiro de Wood no desastroso modelo FW41 deste ano da Williams, o especialista em aerodinâmica Dirk de Beer, recebeu o chamado bilhete azul, dispensa, de Paddy Lowe, seu chefe.

Vamos rever? Goss, da McLaren, Zander, Sauber, Wood e Beer, Williams, Tatham, STR, e Resta, Ferrari. Estamos falando de projetistas de cinco times, ou metade dos dez que disputam a F1. Em outras palavras, metade dos carros do grid, em 2019, está sendo projetada por engenheiros distintos dos que assinaram os modelos em uso nesta temporada.

Nunca na história de 68 anos da F1 houve uma devassa tão grande de projetistas líderes. O tema merece reflexões. Essa dispensa em massa tem alguma razão específica para explicá-la? Que fatores contribuíram para os proprietários ou responsáveis das equipes decidirem rever sua estrutura técnica?

Estamos em uma época, fim de maio, na qual os projetos de 2019 ganham maior impulso. Se é para mudar o quatro técnico, o momento, portanto, é este. Os modelos que eles produziram para 2018 já deram nas seis provas disputadas uma boa ideia do seu potencial, em especial depois do GP da Espanha, com a introdução do pacote de mudanças.

Há outro fator a ser considerado. Até o fim do ano, a FIA, a Formula One Management (FOM) e as próprias equipes vão definir as diretrizes da F1 a partir de 2021, quando a competição passará, com o fim do Acordo da Concórdia, por uma transformação radical, técnica, esportiva, organizacional e promocional. É importante o novo grupo de engenheiros começar a se entender desde já, amadurecer trabalhando junto.

Nunca é demais lembrar que a atuação de um projetista hoje na F1 pouco tem a ver com o passado. Não mais se debruçam sobre as pranchetas e, eles mesmos, com lapiseira, desenham as peças.

- Nós dizemos o que desejamos, como pensamos que pode ser obtido, e repassamos aos vários responsáveis pelas diversas áreas do departamento, como os técnicos da aerodinâmica, embora muitos de nós trabalhem junto deles por ser nossa especialidade. Outros setores que controlamos são os da unidade motriz, produção do monocoque, suspensões, transmissão, por exemplo. Somos mais coordenadores que desenhistas, disse James Key, diretor técnico da STR, ao GloboEsporte.com, ainda na pré-temporada do ano passado, em Barcelona.

As cinco organizações que não renovaram contrato ou os romperam com seus profissionais técnicos na F1 foram Mercedes, RBR, Renault, Force India e Haas. Mas não ficaram inertes também. Ganharam novos técnicos, alguns de primeiro escalão, como Marcin Budkowski, já na ativa na Renault. Era delegado da FIA e conhecia muitos dos segredos de todos os concorrentes.

McLaren

A McLaren quer, de todas as formas, romper o cordão umbilical com o passado, a era Ron Dennis, nem mais sócio do grupo, em especial porque o departamento de projeto tem se mostrado pouco capaz.

Em 2014, apesar de contar com a melhor unidade motriz da F1, Mercedes, na época muito à frente dos concorrentes, o modelo MP4/29, coordenado por Goss e pilotado por Jenson Button e Kevin Magnussen, ficou em quinto entre os construtores, com dois pódios na etapa inicial, na Austrália, e nada mais nas 18 etapas restantes do campeonato. Somou 181 pontos, enquanto a Mercedes, campeã, 701.

Goss, inglês, 55 anos, assumiu a direção técnica da McLaren quando Lowe a deixou, em 2013, e estava no time britânico desde 1990, tendo trabalhado com Ayrton Senna.

A saída de Goss foi acelerada com o rendimento da McLaren este ano. O francês Eric Boullier, seu diretor, falou algo que expressa os motivos, além da política de reestruturação promovida pelo norte-americano Zak Brown, diretor geral, com apoio dos sócios majoritários da McLaren, a família real do Barein e o saudita Mansour Ojjeh.

- Nós, a Red Bull e a Renault competimos com a mesma PU (unidade motriz) Renault. E nós estamos atrás das duas.

A RBR ocupa o terceiro lugar entre os construtores, com 107 pontos, a Renault vem em quarto, 46, enquanto a McLaren, é a quinta, com 40.

O diretor de engenharia, Matt Morris, assumiu o cargo de Goss, com o especialista em aerodinâmica, Peter Prodromou, ganhando mais espaço.

Sauber

O caso de Jorg Zander é um tanto particular. Muito experiente, esse engenheiro alemão de 54 anos passou por Toyota, BAR, Williams, BMW Sauber, Honda, Brawn, Audi no WEC (Mundial de Endurance) e, desde o início de 2017, estava de volta à Sauber. Teve participação importante no modelo C37-Ferrari deste ano, das boas performances de Charles Leclerc, sexto no Azerbaijão, décimo na Espanha, e, com Marcus Ericsson, nono em Barein.

Zander foi mandado embora por faltar com a disciplina exigida de um profissional. Os detalhes não se tornaram públicos. Simone Resta, ex-Ferrari, o substituirá.

Williams

O primeiro elemento de avaliação de um técnico é, claro, o da competência. A demissão de Wood e, depois, De Beer pode ser justificada pelo projeto equivocado do carro da Williams, este ano, décima e última colocada entre os construtores, com somente quatro pontos, depois de seis etapas. A Sauber, penúltima, soma 11, enquanto a Mercedes, líder, 178.

Wood é um engenheiro inglês de 50 anos e estava na Williams desde 2006. Já o sul-africano Dirk de Beer tinha pouco tempo de casa, pois começou a trabalhar na Williams em fevereiro do ano passado, depois de formar dupla com James Allison na Ferrari, Lotus e Renault.

Mas não é só isso, o erro no FW41 deste ano. Wood coordenou um projeto eficiente para a Williams em 2014, terceiro no mundial de construtores, mas incrivelmente a mesma concepção básica foi mantida até 2017, apesar da importante mudança do regulamento na temporada passada.

Este ano, o novo diretor técnico e sócio da Williams, Paddy Lowe, exigiu um corte radical com o passado. O FW41 adota essencialmente as melhores soluções dos carros da Mercedes e da Ferrari de 2017, mas que juntas não funcionaram, como em geral acontece.

Pressionado pelos outros sócios da Williams, Lowe teve de promover nova reestruturação no departamento técnico. Ele mesmo o havia montado no ano anterior. Isso significou a dispensa de Wood e De Beer.

Agora, o chefe da área de aerodinâmica, o experiente Doug McKiernan, contratado por Lowe, assumiu também a função de desenhista chefe. McKiernan trabalhou na McLaren, junto com Lowe, de 1999 até 2015. Começou na Williams em fevereiro.

STR

Mark Tatham, outro técnico inglês, não correspondeu mais às expectativas do diretor técnico da STR, o inglês James Key, e de Franz Tost. Curiosamente, o modelo STR13-Honda deste ano tem se mostrado um carro eficiente. Tahham foi o desenhista chefe. Key, também especialista em aerodinâmica, dá as diretrizes e vê o que o desenhista chefe, Tatham, e seu grupo de desenhistas produz, também sob sua orientação. É assim que funciona.

A unidade motriz Honda no chassi do STR13 é uma das gratas surpresas da temporada. O francês Pierre Gasly tem se revelado um piloto de potencial também. Resultado: Gasly foi quarto no Barein, sétimo em Mônaco e Brendon Hartley, o outro piloto, décimo no Azerbaijão.

É por isso que a saída de Tatham não pode ser explicada pelo critério de competência.

Ferrari

A saída de Simone Resta, engenheiro italiano de 47 anos, da Ferrari representa um surpresa enorme. Ninguém esperava. Em especial porque o modelo SF71H deste ano é dos mais eficientes. Sebastian Vettel venceu os dois primeiros GPs do ano, Austrália e Barein, e foi segundo em Mônaco. Kimi Raikkonen obteve três pódios. A Ferrari ocupa o segundo lugar entre os construtores, com 156 pontos, 22 a menos do que a Mercedes.

Resta começou na Minardi e se transferiu para a Ferrari em 2001. Na temporada de 2012, tornou-se desenhista chefe, sob as ordens de Nikolas Tombazis, e, com a saída do grego, em 2014, Resta foi promovido a projetista chefe, sob a direção técnica de James Allison. Quando este foi demitido, em junho de 2016, o novo diretor técnico, Mattia Binotto, promoveu Resta para desenhista chefe, mas sem orientação de ninguém, apenas alinhado com a área de aerodinâmica.

A partir desta sexta-feira, Resta já trabalha na sede da Sauber em Hinwil, a meia hora de carro de Zurique, na Suíça. Ninguém entendeu a decisão de Sérgio Marchionne, presidente da Fiat e da Ferrari.

Agora, o modelo de 2019 da Scuderia di Maranello será assinado por uma equipe de projetistas, sendo os dois principais os especialistas em aerodinâmica, a revelação da engenharia da F1, o jovem francês David Sanches, e Enrico Cardille. A decisão de Marchionne é mais um passo na desejada estrutura horizontal na gestão da Ferrari, em substituição à vertical cultivada até a era de Luca di Montezemolo e Stefano Domenicali, concluída no fim de 2014.

Há dois anos, a dispensa de Allison - logo em seguida contratado pela Mercedes - foi o primeiro movimento dessa política, sob a coordenação de Mattia Binotto, quem delibera as responsabilidades aos engenheiros de cada área.

Quando Allison deixou a Ferrari e Marchionne designou Binotto, um engenheiro da área administrativa das unidades motrizes, para ser o novo diretor técnico, com a função de mudar tudo no setor, e escolheu pratas da casa, muitos bem jovens ainda e com pouca ou nenhuma experiência na F1, não havia na F1 quem não acreditasse que os italianos iriam se dar mal.

Mas veio 2017 e, apesar do novo regulamento, o modelo SF70H chocou pela excelente performance. OK, a base do carro foi projetada pelo grupo de Allison que saiu com ele. Então, o paddock da F1 acreditou que o desenvolvimento do SF70H seria um problema, pela juventude dos novos engenheiros. Mais um engano.

E nesta temporada o modelo SF71H mais uma vez fez todos esqueceram essa ideia de que o novo corpo técnico da Ferrari precisaria de um tempo para, tudo dando certo, produzir projetos vencedores. O time de Binotto surpreende a cada desafio. Vale o mesmo agora, com a saída de Resta e sua função ser distribuída dentre os engenheiros.

Enquanto os carros estiverem na pista do Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, no Canadá, dia 8, nos primeiros treinos livres, os substitutos de Goss na McLaren, Zander na Sauber, Wood e De Beer na Williams, Tatham na STR e Resta na Ferrari vão estar concentrados nos estudos dos modelos de 2019 e até mesmo começar a discutir as tendências das diretrizes da nova F1 para 2021.

ThanosFLA

Mensagens: 6414
Cadastro: 28/05/2012

Nível 4

Mensagem publicada em 03/06/2018 20:40
A McLaren precisava ter mandado o deles embora há anos
Assinatura
80-82-83-87-92-09
  • Novo tópico
Páginas:  1  | primeira | anterior | próxima | última
Quem está online
0 usuários cadastrados e 1 visitantes.
  •  
Média geral    5.0 (1 votos)

1 votos (100.0%)

Excelente

0 votos (0.0%)

Ótimo

0 votos (0.0%)

Bom

0 votos (0.0%)

Regular

0 votos (0.0%)

Ruim