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19/03/2017 09:00

Problemas na pré-temporada colocam motor da Honda em xeque

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Pandora da Fiel

Mensagens: 68942
Cadastro: 13/08/2009

Nível 7





Não é preciso rebuscar muito a mente para encontrar uma ou mais expressões que traduzam, com perfeição, o momento vivido pela McLaren. A equipe vencedora de 12 títulos mundiais de pilotos, só perde para a Ferrari, com 15, está, podemos afirmar, "entre a cruz e a espada". Outra: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".

Nesta quinta-feira a imprensa inglesa divulgou que Zak Brown, diretor executivo do McLaren Technology Group, e Eric Boullier, diretor da McLaren Racing, à qual pertence a escuderia de F1, reuniram-se com a direção da Mercedes na F1, provavelmente Toto Wolff, diretor esportivo da montadora, durante os testes de Barcelona, no início do mês, para saber se, eventualmente, seria possível fornecer sua unidade motriz.


McLaren procura opções para caso precise trocar a fornecedora de seus motores (Foto: Getty Images)


Não é para 2018 não, mas já para esta temporada. É bom lembrar que a Mercedes se programou para fornecê-las para a Manor também, além de Williams e Force India, mas a equipe fechou as portas. Repassá-las, agora, a McLaren, não apenas não seria um problema como atenderia os interesses comerciais da Mercedes.

Foi apenas uma consulta. Por enquanto. Isso para o caso de nas primeiras etapas do campeonato, a começar pela de abertura, dia 26, em Melbourne, Austrália, e depois nos Gps da China, dia 9, de Bahrein, 16, e da Rússia, 30 de abril, a Honda não demonstrar uma rápida e respeitável evolução na sua unidade motriz.

Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne, os pilotos da McLaren, mal puderam treinar nos oito dias de testes no Circuito da Catalunha, por conta da impressionante fragilidade da unidade japonesa, mesmo limitada em potência, a fim de dar a chance à escuderia de começar a entender o complexo projeto do chassi deste ano, MCL32.

Tudo ao contrário

Era para ser o ano da virada da Honda, depois de dois campeonatos de aprendizado na F1 da era da tecnologia híbrida. A McLaren pagou o preço: penúltima colocada em 2015, com 27 pontos - a Mercedes foi campeã com 703 - e sexta no ano passado, com 76 pontos - a Mercedes somou 765.


Alonso e Vandoorne tiveram muitos problemas e pouco tempo na pista durante a pré-temporada (Foto: Divulgação)


Os engenheiros sob a coordenação, há um ano, de Yusuke Hasegawa adquiriram boa experiência nessa nova F1, contaram com um orçamento importante, a Honda não está medindo esforços para seu projeto dar certo, liberdade do regulamento, sem restrições, agora, e dois pilotos campeões do mundo para orientá-los, Alonso e Jenson Button.

Pois mesmo assim, com tudo a favor, a Honda não conseguiu produzir uma unidade motriz que sequer funcione. Ninguém está falando de apresentar performance semelhante, por exemplo, a da Renault, ainda aquém das unidades da Mercedes e Ferrari. Mas que ao menos permita a McLaren treinar. Nos oitos dias Alonso e Vandoorne completaram somente 1.978 quilômetros no traçado espanhol, ao passo que a Mercedes, 5.102 e a Ferrari, 4.450.

Produtos de excelência

As empresas do McLaren Group Technology, como McLaren Applied Technologies, fornecedora das centrais eletrônicas de todos os carros da F1, Fórmula Indy e Nascar, dentre outros projetos de elevada tecnologia, a McLaren Automotive, construtora de esportivos exclusivos de elevado desempenho, como o notável modelo 720S, dentre outras, se caracterizam por representar o máximo. Estão no topo de seus segmentos. Esse é o marketing que gerou o grupo e o mantém.


Dependência financeira da Honda complica a situação da McLaren na F1 (Foto: Dan Istitene/Getty Images)


Reflexo da personalidade extrema de seu criador, Ron Dennis, hoje em colisão tão seria com seus sócios que eles conseguiram, na justiça, afastá-lo de qualquer cargo diretivo. Os donos do McLaren Technology Group são o grupo de investimentos Mumtalakat, do governo de Bahrein, com 50%, Ron Dennis, 25%, e o meio saudita meio francês Mansour Ojjeh, com os outros 25%. O McLaren Group faturou cerca de 500 milhões de libras (R$ 2 bilhões) no ano passado.

Por mais paradoxal que pareça, o maior problema da McLaren Racing, além da ineficiência da sua unidade motriz, é dinheiro. A Honda tem grande importância na manutenção da escuderia. É por esse motivo, principalmente, que a relação se estendeu até este ano, depois de duas temporadas de fracasso e perigosas para os negócios do McLaren Technology Group.

O time de F1 não tem um patrocinador maior. No ano passado, segundo relatório assinado pelo bem informado jornalista sul-africano Dieter Rencken, o time recebeu US$ 70 milhões (R$ 210 milhões) em espécie da montadora japonesa, além das unidades motrizes, que no mercado custariam US$ 20 milhões (R$ 62 milhões). A contribuição japonesa é de nada menos de US$ 90 milhões (R$ 280 milhões).


Equipe britânica corre contra o tempo para ter um carro competitivo na temporada 2017 (Foto: Mark Thompson/Getty Images)


Outras fontes de receita da equipe são os US$ 70 milhões provenientes da Formula One Management (FOM) e US$ 30 milhões (R$ 93 milhões) de seu mosaico de patrocinadores. O McLaren Technology Group investiu US$ 40 milhões (R$ 125 milhões) para completar o orçamento. Total disponível: US$ 210 milhões (R$ 650 milhões), cerca de US$ 100 milhões a menos de Mercedes, Ferrari e RBR.

Não há mágica

Pergunta imediata: onde a McLaren vai buscar, a toque de caixa, os US$ 70 milhões em espécie investidos pela Honda e os US$ 20 milhões necessários para pagar as unidades motrizes a Mercedes? São US$ 90 milhões, é muito dinheiro. O McLaren Technology Group não pode deslocar das outras empresas. E não se conforma em ter de cobrir o orçamento, como em 2016, ao bancar US$ 40 milhões. Esse foi um dos motivos da guerra entre Ron Dennis e seus sócios. A equipe tem de ser autossuficiente. O fundador do grupo não abria mão de só assinar com um patrocinador principal se os valores fossem altíssimos, como sempre fez.

Acontece que a realidade do mundo, hoje, é outra e da própria McLaren Racing também. É uma organização esportiva em queda. Em 2014, mesmo competindo com a melhor unidade motriz existente, a da Mercedes, ficou em quinto entre os construtores, com 181 pontos diante de 701 da Mercedes.


Diretoria da McLaren bate cabeça na preparação da equipe para a temporada 2017 (Foto: Clive Mason/Getty Images)


Portanto é preciso cautela antes de acreditar no que Boullier disse, nos testes de Barcelona: "Se a McLaren tivesse a unidade motriz Mercedes lutaria pelo título". Já teve essa chance e ficou bem atrás.

E mesmo antes da era híbrida, a McLaren se classificou em quinto, em 2013, e terceiro, em 2012, competindo com motor Mercedes. Seu gráfico denota declínio acentuado de produção, não apenas depois da associação com a Honda, a partir de 2015.

O catalão Juan Villadelprat, ex-chefe da equipe na época dos títulos de Alain Prost e Niki Lauda, nos anos 80, disse ao GloboEsporte.com nos dias de treinos no Circuito da Catalunha: "Eu não vejo mais aquele mentalidade vencedora na McLaren".

Grande baque

Mas voltando à questão financeira. É preciso ver, no caso de um rompimento unilateral com a Honda, se não há multa contratual. Talvez haja alguma cláusula de performance. De qualquer forma, a degradação da imagem da Honda no caso de abandono da McLaren seria brutal, bem maior da duramente vivida agora. Estamos falando de uma grande empresa com participação no mercado mundial, não apenas de veículos, mas de motos e de uma série de outros produtos. Fica difícil acreditar numa saída consensual, a não ser que Brown esteja respaldado juridicamente, como a cláusula de performance.

Vale lembrar que a McLaren já fez isso, no fim de 1994. Ron Dennis, profundamente desgostoso com os resultados do motor Peugeot, pagou a rescisão do contrato com a montadora francesa para se associar a Mercedes que, depois, antes de ter seu próprio time, tornou-se sócia do inglês na McLaren. Mas os tempos eram outros, ainda era possível para Dennis realizar negócios dessa natureza. Atualmente, não mais.


Rompimento com a McLaren traria grande prejuízo à Honda (Foto: Dan Istitene/Getty Images)


Pode até ser que esse seja mesmo o desfecho da história se a Honda não reverter por completo a expectativa criada ao seu redor depois não apenas do choque da pré-temporada, mas levando-se em conta o seu histórico nos dois últimos campeonatos. Mas, por enquanto, parece ser mais uma manobra de Brown e Boullier para pressionar a Honda para aceitar a ajuda de outra empresa com conhecimento na área, com domínio da tecnologia híbrida.

Exemplo saudável

Helmut Marko e Christian Horner, da direção da RBR, convenceram os franceses da Renault, no início do ano passado, da necessidade de recorrer a uma dessas empresas, a Ilmor Engineering, com sede na mesma cidade onde a Mercedes constrói suas fabulosas unidades, Brixworth, Inglaterra, a meia hora de Silverstone. Essa parceria acabou há pouco tempo. E foi útil a Renault. Seria, com certeza, a Honda também.

Será interessante ver o que acontecerá se nada mudar e as unidades japonesas seguirem impedindo de a McLaren disputar um campeonato minimamente decente. Brown sabe que esse desastre está afetando o DNA do McLaren Group Technology. Mas também tem consciência de não dispor de algo como US$ 90 milhões para romper com tudo e tentar algo independente, como cliente da Mercedes.


Carro da McLaren sendo retirado da pista após problemas no motor na pré-temporada (Foto: Dan Istitene/Getty Images)


Apesar da confiança dele e de Boullier de que se dispor da unidade Mercedes o time voltará a andar na frente, no paddock não são poucos os que duvidam da eficiência do chassi do modelo MCL32 projetado sob a coordenação de Peter Prodromou e Tim Goss. Enfim, só problemas.

Quem deve estar, a essa altura, no último ano de contrato, olhando para todos os lados é Fernando Alonso, um piloto excepcional, capaz de fazer a diferença, mas sem carro há algumas temporadas. Pior: sem perspectiva para 2018 também, já que se Valtteri Bottas não corresponder na Mercedes Toto Wolff não colocará o espanhol ao lado de Lewis Hamilton, de novo, e na RBR Daniel Ricciardo e Max Verstappem têm contrato para 2018. E a Ferrari é questão fechada, tanto para Alonso como para os italianos.

Darth Baric

Mensagens: 18407
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Nível 5

Mensagem publicada em 20/03/2017 18:28
Será difícil para a McLaren se livrar da Honda e a grana preta que os japoneses colocam lá.
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E o seu time, o que anda fazendo?

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Mensagens: 6614
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Mensagem publicada em 25/03/2017 02:38
Darth Baric
Será difícil para a McLaren se livrar da Honda e a grana preta que os japoneses colocam lá.

Se não fosse isso, eles já teriam saído ano passado

mas incrível como a Honda só está se queimando na F1 há tempos
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